VILLALPANDO // Espanha

Era a primeira vez que eu me sentia sozinho fora de casa.

Também pudera. No meio do nada. Uma velha estação rodoviária abandonada e eu.

Minha cabeça fervia. O suor brotava na testa, escorria pelo rosto e molhava a camiseta já ensopada.

Nenhuma placa indicava em que lugar da Espanha eu estava.

Pulei quando o motorista me indicou que eu deveria trocar de ônibus mas esqueci de perguntar onde exatamente eu iria parar. Coisas de iniciantes!

Na estação havia espaço para 16 ônibus. Percebe-se que algum dia o vilarejo teve movimento. Hoje, não mais. O balcão de passagens nem abre. Passa o dia todo fechado. Se quiser comprar algum bilhete, vá direto ao funcionário de uma pequena lanchonete que ainda funciona por ali.

Campos verdes de um lado. Matagal fechado de outro. Sem casas, sem gente, sem vida. Aqui o tempo realmente demora pra passar.

Um velhinho, no auge dos seus cabelos brancos, sentado no único banco da estação foi meu guia. Descobri que a cidade fantasma tinha um nome: Villalpando.

Um pequeno povoado. Apenas dois mil habitantes. Talvez nem chegue a tanto!

Meu guia nativo garantiu que o vilarejo era bem mais movimentado do que a estação rodoviária. “Bem mais movimentado”?? Não sei se acredito. O que é movimento para ele?

Dizem que há um arco na entrada principal, pouco antes de uma praça rodeada de casas. Não cheguei a conhecer.

Minha passagem pela cidade não passou justamente do ponto de tantas outras chegadas e partidas. A rodoviária.

Cheguei a caminhar um pouco e ver uma pequena quadra com casas velhas, casebres, movimento que é bom… nenhum. Não duvido que toda a cidade tenha ido embora. Nunca conheci um lugar tão deserto como aquele.

Silencioso.

Apesar do sol forte, do dia bonito, quente… dava para ouvir o vento desviando das casinhas e anunciando sua passagem. Algumas pareciam ter sido erguidas com barro. Tijolos já desmanchando. Rachaduras de uma ponta a outra.

Se um dia chegares, sem querer, a parar em Villalpando descubra o que realmente existe por trás do arco que nem cheguei a encontrar. Se ver alguém caminhando entre as ruelas ou parado na estação, converse! Aquela cena vai ser rara.

As duas garrafinhas de água que carregava na minha mochila já estavam quentes. Aproveitei minha rápida parada na estação fantasma e comprei uma bem gelada.

Fiquei pouco tempo em Villalpando. No máximo uma hora. Tempo suficiente para descobrir que uma vez por ano a cidade se enfeita para as tradicionais corridas dos touros.

Voltei a sentar ao lado do velho guia nativo. Mal havia dado tempo para trocar as primeiras observações quando meu ônibus chegou.

Finalmente!

Simples. Pequeno. Vazio. Igualzinho a Villalpando!

Me despedi do homem que parecia estar na mesma posição há décadas e segui o caminho pelas principais rotas espanholas.

Villalpando foi ficando pra trás… uma cidade que nem sabia que existia e saí sem realmente conhecer…

 

villalpando

 

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