LEÓN // Espanha

Não recordo o nome. Era um bar simples na beira de uma estrada. Balcões de alumínio, bancos de plástico, mesas sem toalhas e caminhoneiros bebendo em pé. Não havia música, apenas um radinho de pilha sintonizado numa rádio local.  Do outro lado o locutor anunciava a procissão de fiéis que subiria um morro em homenagem a uma Santa padroeira da região. O bar nem aceitava cartão. Na porta um cachorro abandonado ora entrava no ambiente, ora era enxotado.

Não recordo o nome. Mas era um restaurante renomado. Muito bem falado pelos nativos.  Desses de anúncio de revista famosa e de celebridades. Gente bem vestida e com grana. Mesas ao redor de um jardim e garçons educados que falavam pelo menos três idiomas. Nas mesas muitos talheres (mais do que realmente eu precisaria), três copos e taças diferentes, guardanapos de pano e perfumados. Cardápios que ofereciam refeições que até hoje não sei o que significam.

Eram tão diferentes…mas apenas um detalhe igual existia entre eles.

Não importa qual ambiente você entre. Em quase todos há um pernil pendurado. Não só um… às vezes muitos.  É comum em qualquer porta que sirva um prato de comida na Espanha. O famoso JAMÓN IBÉRICO- conhecido como um dos melhores presuntos do mundo, feito do pernil traseiro do porco – pode custar até 300 reais o quilo.

Jamón Ibérico

Não há quem não coma por aqui. Seja no café da manhã, aperitivo ou no prato principal. Para os espanhóis, é quase sagrado.

O jamón está para eles como uma deliciosa e suculenta picanha está para nós.

Meu preferido: jamón ibérico com ovo e queijo. É o gosto que mais sinto falta quando lembro da Espanha. Ahhh meus cafés da manhã!

Eu sei que é estranho sentir falta de um pernil. Entendo.

A tarde não tinha erro: Bocadillos de Jamón. Pão e fatias finas do presunto. Um chopp ou uma Coca bem gelada para acompanhar.

Falar no Jamón ou “presunto pata negra” é uma aula de história. Como os antigos espanhóis não tinham como guardar a carne em geladeiras utilizavam técnicas de defumação usadas ate hoje.

A região da Extremadura, no sudoeste da Espanha, concentra 80% da produção deste que é um dos melhores presuntos crus do mundo.

É salgado e tratado de forma natural. O processo dura de 28 a trinta meses após o abate. Nesse tempo, a carne ganha sabor e aroma.

Bocadillo de Jamón

Foi en Léon que comi pela primeira vez o jamón ibérico. Foi paixão a primeira mordida. Resisti no início e confesso que foi difícil parar de comer.

Cheguei em Leon pela parte mais moderna da cidade. Prédios bonitos, novos, nem um pouco parecidos com os que eu tinha em mente.

A cidade pertence a comunidade autônoma de Castilla y León. Na Espanha ao invés de estados o país é dividido em comunidades autônomas.

Leon foi uma importante cidade que lutou na guerra civil espanhola, ainda na década de 30. Mas hoje carrega ainda heranças do passado. Construções medievais estão por todos os cantos.

Foi preciso caminhar umas quatro quadras largas para que eu encontrasse finalmente os prédios que tanto desejava ver de perto. Entre eles a famosa catedral. De estilo gótico e com vitrais gigantescos. Por pouco não consigo visitar.

Por aqui a população leva a sério a famosa “siesta”. Não é lenda urbana, não! Mais ou menos entre as duas e cinco horas da tarde muitos espanhóis realmente mandam uma banana para o mundo capitalista, almoçam traaanquilamente e depois dão uma dormidinha. Por isso durante esse período as lojas, departamentos, museus, empresas, escritórios fecham as portas. Isso é bastante comum nas cidades menores.

Aproveitei esse tempo para caminhar. Muitas ruas do centro histórico são tão estreitas que carros não passam. O segredo é conhecer tudo a pé.

Outra dica: é legal conhecer León durante o mês de junho. Na última semana desse mês há diversas festas religiosas e outras que celebram o início do verão. Shows e atividades culturais pelas ruas além da tão falada apresentação de fogos de artifício da região.

Pelas ruelas de León
Pelas ruelas de León

Almocei sozinho num pequeno restaurante  perto da catedral. O calor era tanto que não tinha como suportar ficar mais do que dez minutos dentro dos estabelecimentos. Por isso é normal as mesas ficarem espalhadas pelas calçadas.

Outra tradição dos espanhóis que fiz questão de seguir foi em relação a bebida. Aqui é comum beber cerveja antes da refeição. Algo como o vinho para os italianos. Só que na Espanha, talvez pelo calor, se bebe mais a cerveja (uma garrafa ou um copo antes do almoço). Quer coisa melhor?

Ahh se todos os dias pudessem ser assim…

Bebi com prazer numa tarde quente…

Centro histórico de León
Centro histórico de León

O charme de León

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