SHAKESPEARE’S GLOBE // Londres

“O louco, o amoroso e o poeta estão recheados de imaginação”.

William Shakespeare

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Ás margens do rio Tâmisa. Fotografia feito poesia.

Imponente, nada discreto. De uma beleza que os londrinos entendem bem.

Simples, frio mas ao mesmo tempo impressionante. Poderia passar um bom tempo só olhando para aquela gigantesca estrutura, assim como eu passaria horas mergulhado numa obra de seu grande idealizador.

Um teatro com resquícios de um passado tão distante. De uma época onde Shakespeare ainda perambulava de um lado até o outro destas ruelas.

Era num simples palco de madeira que o apaixonado escritor falava de amor, narrava romances proibidos e emocionava um povo que quase nunca demonstrava os sentimentos. E ainda pouco demonstra.

O “the globe”, como foi chamado por muitos séculos, já incorporou a paisagem desse lado de Londres. Mas a maior beleza está lá dentro.

Shakespeare tinha uma missão quase impossível para uma época cheia de tabus. Algo tão difícil quando o desenrolar de um romance. Ele precisava apaixonar o público que lotava os três andares do teatro. Todo de madeira ornamentada, sem luxo e com quase nenhum conforto.

A grande atração do passado também é uma grande atração no presente. Hoje, é possível não só entrar no teatro como também se pode assistir a uma peça teatral nos moldes das que eram realizadas na época em que Shakespeare mandava e desmandava por aqui.

The Globe
The Globe

A estrutura lá dentro é praticamente a mesma. Os bancos, de madeira são horríveis e vão começar a perturbar já no final do primeiro ato. Mas não desista! O incomodo faz parte do charme desse lugar.

No centro da arena um pequeno palco. Não há grandes cenários, não há iluminação de ponta, muito menos caixas de som. Aqui, tudo acontece igualzinho ao que acontecia no início – lá nas páginas amareladas de um passado muito distante.

Panos já quase sem cor fazem parte do fundo, os atores falam mais alto e a acústica do teatro permite que até o último, lá no alto, escute perfeitamente.

A trilha sonora é feita na hora. Batucadas em tambores, as cordas dos violões ou os sopros nas flautas. Tudo é tão simples e tão mágico. Só estando aqui para entender.

Se o seu problema é o idioma, não se preocupe. A peça é toda em inglês mas somente pelos gestos dos atores, pelas roupas e pela ação em cena já é possível entender o que acontece. E tem mais, as histórias representadas são as mais conhecidas de Shakespeare o que facilita o turista que não tem nenhum domínio com a língua.

Com o preço, também não se incomode. Pode variar de dez até quinze libras. Se você quiser pagar mais barato ainda há uma opção para que se fique de pé. Mas não recomendo. As peças são longas, com pelo menos 2 atos. Lembre-se: o espaço para quem fica de pé é aberto no teto. Ou seja, se cair aquela chuva(o que em Londres não é difícil) você não terá para onde correr. Evite se arriscar. Não vale a pena!

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Quem vai à Londres precisa passar por aqui. Mas venha preparado para assistir a uma peça. Hoje, o teatro funciona a todo o vapor. Há diversas apresentações o ano inteiro (só em algumas datas comemorativas as apresentações não são realizadas).

O teatro também oferece visitas guiadas que explicam o funcionamento daquele lugar, as história das apresentações e obviamente sobre seu antigo responsável.

Não se preocupe em comprar ingressos com antecedência. Deixe para comprar na hora. Aproveite para curtir os pubs e restaurantes que ficam ao redor do The Globe. O lugar é muito charmoso e tem uma vista invejável: o Tâmisa ao dispor de seus olhos. O mesmo Tâmisa que encheu os olhos do poeta e que o fez tanto se inspirar.

Até hoje o The Globe de Shakespeare desperta a atenção de milhares e milhares de turistas. Assim como naquela época onde filas se formavam para ver de perto os dramas e as invenções do poeta das histórias!

A inauguração do teatro arena, lá pelo final de 1500, foi um grande avanço cultural para a época já que as companhias teatrais se apresentavam somente nas ruas e no máximo nos bares. O teatro original pegou fogo, foi reconstruído. O novo, acabou fechado por pressões políticas – naquele tempo, falar de amor nem sempre era visto com bons olhos. Sem uso, acabou destruído mais uma vez.

O Shakespeare Globe, que hoje está em pé em Londres, é uma réplica quase perfeita. Foi construído poucos metros distante de onde ficava o original. Ali mesmo, de frente para o Tâmisa.

Shakespeare, o apaixonado, até hoje nos apaixona… seja pelas palavras que resistiram ao tempo sem perder a emoção ou sejam pela lembrança que ainda se mantém de pé.

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Foto: divulgação

SHAKESPEARE GLOBE THEATER

Para chegar até lá //Estações de metrô: Mansion House e Cannon Street

HoráriosDe abril a outubro – Segundas, 9h às 17h30 (entrada até as 17h); Terça a sábado, das 9h às 12h30; Domingo, das 9h às 11h30. De outubro a abril – Segunda a domingo, das 10h às 17h.

http://www.shakespearesglobe.com

Arena do The Globe
Arena do The Globe
Final do segundo ato
Final do segundo ato
Ao lado do The Globe a vista para o Tâmisa
Ao lado do The Globe a vista para o Tâmisa
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