SALAR DE UYUNI // deserto de sal, Bolívia

Uma chão branco a perder de vista. Um sol que reflete naquela “terra” salgada e que queima o teu rosto. Os filetes de água acumulados que espelham o céu quase que numa miragem.

Não importa a época do ano em que você planeje ir (na época da seca ou da chuva), o deserto de sal, na Bolívia, vai ser sempre um dos lugares mais lindos do mundo.

Lembro que vi pela primeira vez aquela imensidão pela TV. Eu ainda estava na faculdade de jornalismo e nem imaginava o que seria da minha vida no futuro. Assisti essa reportagem sobre o salar justamente na emissora e no mesmo programa em que hoje, alguns anos depois, estou trabalhando. Coisas da vida.

Me apaixonei pelo o que vi na telinha. Me apaixonei ainda mais quando pisei por lá.

Enfrentar o deserto de sal boliviano não é fácil! Requer fôlego, paciência e muito bom humor para não estragar a viagem. Isso pq um dos roteiros mais legais – e é o que vou indicar aqui- dura três dias.

Vão ser três dias incríveis sem energia elétrica, sem água encanada, sem banho, sem internet, sem Netflix. Prepare-se para uma aventura desgastante, sim, mas inesquecível (no melhor de todos os sentidos).

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COMO CHEGAR AO SALAR DE UYUNI.

Vamos começar pelo básico.

Uyuni é uma nome de uma pequena cidade boliviana com pouco mais de dez mil habitantes. É lá que fica o deserto de sal, um dos espetáculos da terra.

Para fazer esse passeio você tem duas opções: sair do Brasil, desembarcar no Chile, viajar até San Pedro do Atacama, conhecer o deserto do Atacama e de lá seguir até Uyuni (dizem que é maravilhoso mas é super cansativo afinal estará atravessando de carro dois países). A segunda opção, e é a que eu fiz e indico, é chegar a Uyuni através de La Paz. Sai do Brasil, desembarca em La Paz, segue até Uyuni e de lá começa o roteiro pelo deserto.

Vou dar as sugestões a seguir para quem optar por essa última alternativa.

Você deve desembarcar em La Paz e ficar, pelo menos, uns 2 ou 3 dias na cidade antes de ir para o deserto. O motivo é a altitude. A pressão na cabeça não é brincadeira. Nunca vá para o salar logo no primeiro dia. Faça a aclimatação primeiro. Dou dicas sobre isso nesse outro post. Clique aqui e saiba tudo sobre a altitude na Bolívia.

Não se preocupe em comprar os pacotes para o deserto de sal aqui do Brasil. Não há necessidade. Deixe para comprar lá mesmo (vai pagar bem mais em conta).

Ao redor do Mercado das Bruxas, um dos pontos turísticos de La Paz, existem dezenas e dezenas de agências de turismo. Todas oferecem vários passeios para vários destinos da Bolívia. Um deles, e talvez o mais procurado, justamente o salar.

Não espere encontrar uma agência tipo CVC. São portinhas que te levam a salas super simples (muitas vezes só com uma mesa e uma cadeira). Não se assuste. É assim mesmo! Na verdade essas agências apenas te revendem passeios de agências maiores que trabalham em Uyuni.

Como são muitas, e uma do lado da outra, sugiro que você faça uma rápida pesquisa para ver ótimos preços. Nunca opte pelo mais barato de todos (quanto mais barato mais de segunda linha vai ser). Opte pelos mais caros (que não vão ser tão caros assim) ou os pacotes com valores meio termo (foi o que escolhi). Paguei, na época, o equivalente a 400 reais para um roteiro que dura 3 dias (incluindo transporte no deserto através de carros 4X4, alimentação e hospedagem). No hostel em que eu estava hospedado em La Paz, por exemplo, encontrei pacotes sendo oferecidos por 600 reais. Na rua encontrei até por 300. Mas optei pelo de meio valor e não me arrependo. Foi maravilhoso. Tudo saiu perfeito!

Importante: os pacotes, geralmente, não incluem a ida entre La Paz e Uyuni.

Você pode ir de bus (não recomendo pois é muuuuuuito cansativo e sem graça), de avião (caro e desnecessário) ou de trem (a melhor e a mais legal de todas as opções).

Neste outro post explico como chegar lá. Basta clicar aqui e descobrir como viajar de La Paz até Uyuni.

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Se você quiser economizar ainda mais nos pacotes pelo deserto pode deixar para comprar nas agências da própria cidade de Uyuni. Lá existem algumas agências, também uma do lado da outra, oferecendo os passeios com preços mais em conta. Mas sugiro comprar em La Paz mesmo para evitar a lei da procura e da oferta e correr o risco de pagar mais caro de última hora ou, no desespero, pegar qualquer agência correndo o risco de não escolher uma  boa.

Lembre-se > o trem chega em Uyuni a noite (as agências já estarão fechadas). Os ônibus chegam cedo da manhã. O passeio para o salar sai pontualmente às 10h da manhã. Se chegar em Uyuni sem pacote vai ter que escolher um correndo (pra sair às 10h) ou vai perder um dia morto na cidade (que não tem mais nada pra fazer).

Quer assistir a nossa aventura pelo salar de Uyuni? Então clique aqui e veja o nosso canal no youtube.

UYUNI, PRIMEIRAS HORAS

Os passeios para o deserto começam todos no mesmo horário, por volta das dez hora da manhã. As agências todas saem com os carros quase que um atrás do outro. Por isso, nem pense em se atrasar! O ideal é chegar na cidade na noite anterior.

Quem opta por ir de La Paz até Uyuni de bus muitas vezes chega na própria manhã do início do passeio. É muito desgastante pq tu já começa o deserto cansado. Prepare-se pq atravessar o salar vai ser puxado.

Como optei por ir de trem cheguei na noite anterior. Deu tempo de descansar no hotelzinho antes de começar a aventura.

A estação de trem fica em frente a avenida principal (local onde vai encontrar barzinhos, restaurantes, bancos, agências de turismo e casas de câmbio). Fizemos tudo a pé.

Ao reservar algum hotel em Uyuni opte pelo mais próximo da avenida principal. Use a estação de trem como ponto de referência. Reservei, aqui mesmo no Brasil, através do Booking. Os hotéis são todos muito, muito, muito simples. Paguei o equivalente, na época, a 50 reais por pessoa e por noite. O banho era gelado (sim), a cama não era tão limpa  mas o café da manhã era bom e consegui descansar.

Fiquei hospedado no Oro Blanco. Muita gente optava também pelo Hotel Julia. Os dois estão lá no Booking.com

Regra número um: desapegue-se de tudo! Para encarar o deserto não espere por luxo, conforto e higiene. Isso não significa que a viagem será terrível, pelo contrário! No meu caso foi uma das experiências mais lindas que já tive, apesar dos perrengues normais de um viajante que busca atravessar o salar.

pulando

MERCADINHOS

Li em vários blogs de viagens que o ideal é levar comida, bebida e coisas para o dia a dia no deserto, já que no Salar você não vai encontrar nada.

Não é bem assim. Depende do que você precisa.

Fiz um estoque, num mercadinho ali mesmo em Uyuni, com bolachas, salgadinho, água, papel higiênico (isso sim é importante) e gastei o equivalente a 150 reais. Um roubo!!!!

Como é a última parada antes do deserto eles colocam os preços lá em cima. Confesso que não comemos nada do que levamos. Consumimos apenas água e usamos o papel higiênico (sim, é deserto, você vai precisar).

Você até pode levar uma ou outra bolachinha pra ter de emergência quando bater a fome mas não há necessidade de tanta coisa pq as refeições são boas ao longo do deserto. É importante você saber que a comida é fria, preparada ali mesmo numas panelinhas e no carro, sem luxo algum. Mas você come muito bem. Não passei fome nenhum dia. Acabei gastando no mercadinho sem necessidade.

Por isso minha dica é: pode até levar uma coisinha simples pra comer caso bata fome mas não se preocupe tanto com comida. Leve água e papel higiênico.

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Rua principal de Uyuni

O QUE LEVAR NO DESERTO

Leve sempre blusões e casacos, pq a noite o frio vai chegar com tudo. Mas tenha em mãos sempre camiseta pq o calor também vai aparecer… e com força.

Uma das paradas do roteiro são em águas termais – leve toalha, bermuda ou roupa pra banho também.

Em um único hotel na viagem você terá a opção de banho pago (a agua meio morna – mais pra fria do que quente). Paguei o equivalente a 8 reais pelo banho. Leve shampoo e sabonete.

Não esqueça da água!

 

 

CASA DE CAMBIO E CAIXAS ELETRÔNICOS EM UYUNI

É a dúvida de muitos viajantes: quanto levar para o deserto?

É importante lembrar que, se você já pagou sua ida e a sua volta entre La Paz e Uyuni, e já pagou o deserto não vai gastar com quase nada lá. Durante os dias no deserto tudo já está incluído (só presentinhos, cerveja, mercado e afins que não).

Na cidade você vai gastar apenas com refeição e hospedagem. Optei por não levar nada em dinheiro e sacar tudo no caixa eletrônico. Levei meu cartão de DÉBITO, devidamente autorizado pelo gerente para saque no exterior, e consegui sacar nos caixas eletrônicos com preço de câmbio muito em conta.

Existem várias casas de câmbio em Uyuni mas como é a última cidade antes do deserto as taxas são um pouco mais caras. Troque tudo em La Paz ou opte por cartão.

 

ROTEIRO PELO DESERTO DE SAL

Quando você compra o pacote na agência para atravessar o salar você pode optar pelo passeio de um dia só (que inclui só o deserto). É um bate e volta. Ideal para quem não tem o espírito aventureiro e quer conhecer apenas o deserto de sal.

As outras opções são os pacotes de dois dias e uma noite ou de três dias e duas noites.

O mais procurado, e o mais interessante, é o de três dias e duas noites.

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Dia 1 – Você deixa Uyuni num carro 4X4 com até 6 pessoas (e mais o motorista). O motorista vai ser seu guia e cozinheiro. É torcer para que ele seja animado e gente boa! A maioria só fala espanhol. Se você precisa de um guia em inglês tem que perguntar antes na agência.

Se você estiver sozinho procure saber antes também quem são os viajantes que estarão no mesmo carro que o seu para não correr o risco de pegar só casal.

A primeira parada é numa pequena vila bem rústica no caminho do deserto. Lá você vai poder ver e comprar artesanato, roupas e presentinhos feitos pelos nativos.

A segunda parada é o famoso cemitério de trens.

Um terreno onde estão abandonadas carcaças de trens que um dia atravessaram este país. Um monte de ferro velho no meio de um deserto que é lindo de se ver. Você vai ter tempo suficiente para conhecer todo o cemitério, subir nos vagões, tirar fotos, entrar nos trens.

Minha dica é: pesquise antes na internet opções de fotos que os viajantes tiram por lá já que muitas vezes o tempo é corrido e muitas vezes é difícil ter ideias de fotos legais.

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Do cemitério o próximo destino é o deserto de sal.

Que lugar espetacular! Uma imensidão branca que a gente não consegue saber onde começa e onde termina. O carro parece deslizar naquele sal.

O veículo faz algumas paradas ao longo do caminho e é possível tirar aquelas fotos engraçadas em perspectiva.

Dica 2: estude antes como tirar aquelas fotos (não é tão fácil assim) e veja opções criativas para já ir preparado e não perder tempo. O motorista normalmente sabe como tirar essas fotos e pode te ajudar.

dinossauro

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O almoço acontece, geralmente, em um paradouro com mesinhas e banquinhos feitos de sal no meio do deserto. Pedimos para não comer ali e o nosso motorista aceitou seguir viagem.Não era o que queríamos. Nosso plano era almoçar no meio do salar mesmo, sozinhos, sentados no chão, no meio daquele deserto. Isso sim era o que procurávamos. E foi lindo!

O almoço já vem preparado pelo motorista e ele monta tudo ali mesmo no porta malas do carro. O nosso primeiro almoço era chuleta (geladinha mas comível), arroz com quinoa, batata e salada. Tinha água, coca-cola e frutas de sobremesa. Comemos super bem até seguirmos viagem.

Em outras refeições comemos massa com sardinha e massa pura com legumes, salada, frango e batata cozida.

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Nossa última parada no deserto de sal foi numa pequena ilha de cactus. É uma espécie de parque que é preciso pagar para visitar. É barato mas como não vi muita graça preferi ficar no lado de fora mesmo. Fiz algumas fotos entre os cactus e me protegi do vento forte dentro do carro.

Acredite, nessa hora você já vai estar muito cansado. A viagem é longa, o vento corta o rosto e o sol queima (mesmo no frio use protetor solar).

Pegamos o carro novamente e seguimos viagem. Paramos somente no alojamento. É um pequeno “hotel” feito todo de sal. Paredes, mesas, cadeiras, cama.

Não há praticamente nada ao redor (só uma pequena vila). O alojamento é super simples e certamente você vai precisar dividir o quarto com todos os ocupantes do carro que estão viajando com com você. Ficamos em seis no mesmo dormitório.

O jantar foi super bem servido. Tinha sopa de entrada e depois trouxeram picadinho de carne com batatas fritas. O mais legal é que tinha cerveja para vender (meio carinho) mas é claro que eu não ia perder a chance de beber algumas naquele cenário incrível.

Nesse hotel de sal tem a opção de “banho quente”. Primeiro, você precisa pagar o equivalente a oito, dez reais para tomar banho. Segundo, a água não tem nada de  quentinha, é friaaaa mesmo. Muita gente, por causa do frio, opta por não entrar para o chuveiro.

Há também uma tomada comunitária para recarregar celular e máquinas fotográficas. Aproveite pq dali em diante não há mais energia elétrica.

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Alojamento de sal no meio do deserto
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alojamento de sal por dentro
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café da manhã no alojamento de sal
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o alojamento de sal fica no meio do deserto
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ao redor do alojamento há uma pequena vila
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Não é miragem! Achamos cerveja no meio do deserto!

 

Dia 2 – O dia começa bem cedo. No alojamento servem um café simples mas muito bom. Tem café preto, com leite, chá, suco, pão, bolachas, manteiga e doce de leite.

Pegamos a estrada assim que o sol nasceu.

Nosso destino agora são os outros desertos bolivianos.

O primeiro, é Dali. Recebe esse nome em homenagem ao pintor Salvador Dali. Já dá pra imaginar que para os bolivianos o deserto parece uma pintura.

Você vai atravessar vulcões, a famosa árvore de pedra e as incríveis lagoas bolivianas. Tem uma lagoa verde, uma azul e, sim, uma lagoa vermelha!!!! Ela é chamada de Laguna Colorada por ter o tom da água avermelhado.

No fim da tarde paramos em outro albergue. Nesse, ainda mais simples do que o anterior, não tinha água e a energia elétrica era só até as 8 da noite. Não deu tempo de carregar nada.

A janta foi bem servida. Sopa, também de entrada, e macarrão.

vulcao

Dia 3

O dia mais difícil de todos. Acordamos às 4 da manhã. O termômetro marcava temperaturas abaixo de zero grau. Pra encarar o frio da madrugada dormimos com toda a roupa mesmo que tinhamos.

Saímos antes do dia amanhecer. O objetivo era justamente encontrar um dos tesouros mais lindos desse lugar: ver o nascer do sol no meio do deserto.

Sou do Rio Grande do Sul, estou acostumado com o frio, mas confesso que nunca tinha enfrentado um clima tão gelado quanto esse do deserto. Mas valeu cada minuto para ver o dia chegando no meio do nada. Foi lindo!

Ainda passamos pelos geisers (são pequenas fontes termais que entram em erupção), pelas piscinas naturais (é possível tomar banho por alguns poucos reais – a água é muito quente) e seguimos viagens até a fronteira com o Chile.

A essa hora você já vai estar podre!

Dali em diante o carro para apenas para fazer o almoço e segue viagem. São mais de seis horas de estrada até desembarcarmos novamente em Uyuni.

Os ônibus que retornam para La Paz saem à noite. Deu tempo apenas de parar num barzinho, roubar o wifi, comer uma pizza, umas cevas e correr para o bus e capotar.

Voltamos com um bus da empresa “Todo Turismo”, a mais famosa de lá – e também a mais cara.

Não vale a pena. No bus, normal como qualquer outro executivo, serviram um jantar e exibiram um filme. O diferencial desta empresa era o “wifi” que só funcionou enquanto o ônibus estava parado antes de iniciar viagem e quando chegamos em La Paz. Opte por outra empresa bem mais barata e que vai te dar as mesmas opções.

Lá mesmo em Uyuni é possível comprar as passagens da volta (mas não deixe para comprar justamente no horário da volta que, obviamente, corre o risco de esgotar todas as passagens).

Prepare-se para conhecer um lugar surpreendente com alguns dos desertos mais lindos do mundo!

Boa viagem!

Clique aqui e assista o nascer do sol no deserto boliviano no nosso canal no Youtube.

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